Gravidez Tardia e Psicanálise: Reflexões Sobre o Tempo, Desejo e Maternidade
- Tainar Undália

- 22 de out. de 2024
- 2 min de leitura
A gravidez tardia é um fenômeno que carrega camadas profundas de significados, emoções e transformações. Para muitas mulheres, engravidar em um momento mais avançado da vida envolve revisitar sonhos, expectativas e até medos antigos.

Sob a lente da psicanálise, esse processo se revela como uma oportunidade singular de reconexão com o próprio desejo, com a história de vida e com o sentido de ser mãe.
A maternidade, em qualquer idade, está intrinsecamente ligada ao inconsciente — às experiências vividas, aos vínculos que moldaram a infância, e às relações que, ao longo do tempo, construímos com nós mesmas. Quando uma mulher decide ou se encontra grávida em uma fase mais madura, não é apenas o corpo que passa por mudanças; a psique também é profundamente tocada. A gravidez tardia muitas vezes surge em um momento em que a mulher já percorreu um caminho significativo em sua vida pessoal e profissional, questionando papeis e ressignificando sua trajetória.
Na psicanálise, o desejo ocupa um lugar central. O desejo de ser mãe, por vezes adiado ou suprimido em função de outros projetos, pode ressurgir com uma força inesperada. Não se trata apenas de ter um filho, mas do que esse filho representa em termos de continuidade, legado e até de cura de feridas internas. O inconsciente, sempre ativo, carrega consigo fantasias e significados profundos sobre a maternidade, muitos dos quais podem ganhar nova luz quando o tempo da vida se estende, e a mulher se encontra frente à possibilidade de ser mãe em um contexto diferente daquele imaginado na juventude.
Mas junto ao desejo, surgem também os medos — a saúde do bebê, a capacidade física, a ansiedade sobre o futuro. Esses sentimentos são legítimos e encontram na psicanálise um espaço seguro para serem elaborados. A gravidez tardia, com suas particularidades, oferece uma oportunidade rara para a mulher mergulhar em si mesma, revisitar suas escolhas e confrontar o que de fato é essencial para ela. É um momento de ressignificação, onde o passado, o presente e o futuro se encontram de maneira muito íntima.
A maternidade, independente da idade, é um ato de amor. No entanto, na gravidez tardia, há uma sabedoria que acompanha esse amor — um olhar mais maduro, talvez mais compassivo, sobre o que é ser mãe. A mulher não está apenas criando uma nova vida, mas também recriando a si mesma, com todos os aprendizados, cicatrizes e conquistas que traz consigo.
A psicanálise nos ensina que o desejo é sempre presente, sempre vivo, e que a maternidade, em qualquer fase da vida, é uma oportunidade de nos conectarmos profundamente com esse desejo. Seja na juventude ou em uma fase mais madura, ser mãe é, acima de tudo, um caminho de autodescoberta, amor e transformação.
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